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CHINA SE TORNA PRINCIPAL DESTINO DO PETRÓLEO LOCAL

Primeiro foi a soja, depois o minério de ferro. Agora é a vez do petróleo. De janeiro a maio deste ano a China ultrapassou de longe os Estados Unidos como principal destino do óleo bruto. O Brasil exportou para os chineses US$ 1,76 bilhão no período, quase o dobro dos US$ 980,9 milhões embarcados em igual período de 2014. O valor só não foi maior em razão da queda de preços. No acumulado até maio, em quantidade, o Brasil exportou à China 5,37 milhões de toneladas de petróleo, mais que o triplo dos 1,48 milhões de toneladas embarcados em iguais meses do ano passado. O volume vendido em cinco meses este ano ao país asiático equivale a 96% da quantidade de petróleo embarcado aos chineses no ano todo de 2014.

A China na verdade ocupa o lugar dos Estados Unidos. No ano passado o Brasil exportou aos americanos, de janeiro a maio, US$ 1,32 bilhão do óleo bruto. Nos cinco primeiros meses deste ano o embarque de petróleo aos americanos caiu para US$ 793, 28 milhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

Lia Valls, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV), diz que o movimento pode ser reflexo da aproximação da Petrobras com órgãos de financiamento chineses. Na busca de novas fontes de empréstimos, a estatal formalizou em maio acordos de cooperação com o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) e com o China Eximbank. “Não é claro se esses acordos envolvem exportação, mas além das negociações há ainda uma demanda por petróleo da China que pode crescer ainda mais com a mudança do modelo energético baseado em carvão.”

“Essa é uma tendência que já estava no plano do governo chinês”, diz Fabio Silveira, diretor de pesquisa econômica da GO Associados. Para ele, a elevação das exportações são resultado da fatia crescente dos chineses na produção brasileira de petróleo. “Foi uma forma de a China garantir regularidade de abastecimento de um produto essencial por um país sujeito a menor instabilidade política que outros fornecedores do mundo árabe ou do continente africano.”

Para Silveira, a tendência é que o petróleo torne-se cada vez mais importante na pauta de exportação brasileira aos chineses. Com a elevação de venda, o petróleo chegou a 12,83% do valor das exportações totais do Brasil à China no acumulado até maio. No mesmo período de 2014, a fatia era de 5,14%. Com elevação de praticamente 80% na exportação aos chineses, o petróleo compensou parte da queda de embarque de soja e de minério de ferro, que caíram 31,22% e 60,15%, respectivamente.

“Mesmo com a desaceleração, a China mantém crescimento, o que deve elevar a compra de petróleo”, avalia Silveira. “É um produto que manterá a demanda mesmo com a mudança de modelo da economia chinesa, que deve ser cada vez mais puxada pelo consumo das famílias e não apenas por investimentos”, diz Lia. Para o economista da GO Associados, a exportação de petróleo para os chineses este ano deve atingir US$ 3,5 bilhões, mesmo com a queda de preço da commodity. De acordo com dados do Mdic, o preço do petróleo exportado em maio teve queda de 49% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Pelas estimativas de Silveira, o preço do petróleo deve ter alguma recuperação durante o segundo semestre. Na média do ano, avalia ele, o preço deve atingir US$ 65 por barril. “É bom lembrar que no início do ano o preço estava em torno de US$ 50 o barril”, diz. Ao fim do ano, calcula ele, o petróleo deve ficar em US$ 70 o barril.

Ao mesmo tempo em que a tendência é de demanda crescente pela China, destaca Lia, as aquisições de petróleo pelos Estados Unidos devem diminuir, por conta da maior autonomia dos americanos na produção do óleo.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), destaca que o avanço dos embarques de petróleo mantém a tendência de forte concentração da pauta brasileira de exportação à China. Somente os três produtos mais vendidos ao país asiático – soja, minério de ferro e petróleo – respondem atualmente por 77% do que o Brasil vende à China. O país asiático é hoje o principal destino externo do minério de ferro e da soja brasileira.

A novidade, diz Castro, deve ser que, pelo menos neste ano, a soja tomará o lugar do minério de ferro, que liderou a pauta de exportação total brasileira nos últimos anos. Segundo estimativas da AEB, o embarque total do grão pelo Brasil deve chegar a US$ 18,7 bilhões este ano enquanto a exportação de minério de ferro deve atingir US$ 15,3 bilhões. O desempenho da exportação no ano das duas commodities deve ser afetado também pela queda de preços, mas de forma mais acentuada para o minério de ferro, diz Castro.

A participação da soja na exportação brasileira total caiu de 13,94% de janeiro a maio de 2014 para 11,7% em iguais meses deste ano. No mesmo período, a participação do minério de ferro recuou de 13,02% para 8% das exportações. O petróleo avançou sua fatia de 6% para 6,63%.

Mesmo com o efeito da soja e do minério, que contribuíram para derrubar a exportação brasileira para a China em 28% no acumulado até maio, o país asiático deve continuar seguindo como o maior parceiro comercial do Brasil. Nos cinco primeiros meses do ano os embarques brasileiros aos chineses somaram US$ 13,73 bilhões. A China responde por 18,4% da exportação total brasileira, seguida pelos americanos, que representam 13% do total.

Fonte: Valor Econômico/Por Marta Watanabe | De São Paulo

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